quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Febre

o corpo dela fremia. Era febre. Ela suava naquele verão. Nada a tocava, apenas o desejo. Existia a impossibilidade, a distância e o impossível. Alguma coisa desatou em seu corpo e ela sentiu tudo que precisava. Ela dizia, não me toque, não me toque.
E ele não a tocaria se ela não permitisse, porém ela desejava com todo fervor. Era desejo. Desejo, consumia sua própria alma. Não a toque, segure a mão, as pontas dos dedos no ar quente, não pode tocá-la pois ela ferve.
Suspensa, e atrás de si um tufão.

 Tomo-o em suas mãos e ela seguia o momento até seu seio. Aperta-os. Ela os aperta.

Estou aqui, plena e inteira, Vênus em adolescência, saída da bruma do mar. Coma-me, se não vai doer. O tesão morto se consome e dói. Por favor me coma, se não te devoro; e faz as bolhas na água para o oxigênio subir até a atmosfera e a tempestade virar chuva quente.
Chuva quente, que caí no verão.

Ela arde de febre, coelho, lebre, raposa, amor.

Sou mulher inteira e quero sua boca molhada.
Escorre o tempo em saliva, ela saliva que nem cachorro no sol. Seu suor é queda de loucura. Rodopia na nuca e desce entre sua nádegas.

A febre as vezes se tranquiliza, mas ela sempre vai retornar.

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