Agora é Sophie. Por si, sozinha.
Tão Sophie que nem entende quem é. Quem vai entender? Nem a chuva consegue lavar seus questionamentos, não consegue se enquadrar muito bem em nada. Agora só sente o chão se desfazer e a cadeira com ela escorregar pela toca do coelho, o problema é que nunca consegue chegar ao fim. Desce, desce, desce... E quanto mais desce não sente a profundidade, almeja o fim, mas o fim é angustiante.
Acha a realidade subjetiva e não faz força para as coisas serem. Acredita que a esperança do chão já se acabou, de vez em quando perde a esperança em si mesma e joga tudo para o ar (ela faz as coisas voarem), aí nem se lembra dos laços mais firmes, muito menos dos nós. Passa despercebida por muita gente, mas nem por isso deixa de perceber as pessoas. Porém, às vezes, quando está em seu mundo mais profundo, Sophie não vê ao redor, se torna vazia, mas não por completo: more rápido. Ela caí, e já por isso, morre. Morrendo vê a vida se esvair aos poucos sem poder mudar muita coisa, sem tentar entender porque não pode mudar. Sophie para de tentar logo e percebe que não vai conseguir chegar a lugares diferentes.
Sempre volta ao mesmo lugar, gira e gira ( ao cair ela gira). Desespera, e por isso, mais uma vez, morre. Vai-se, se esvai, volta, perturba, descobre e de novo morre. Só se reconstrói quando, por um acaso, tem a ilusão que o chão está em baixo dos seus pés, mas é só ilusão, nada é real para Sophie, nem mesmo ela.
Nunca poderia tocar a realidade, por que acha que a realidade tá dentro dos outros, pois desconstruiu toda a sua realidade para entender a realidade exterior.
Nunca entenderá nada, por que perdeu os referenciais.
Está zonza e abandonada na toca do coelho, caindo, rodando, morrendo, perdendo e ganhando mais caos ao perceber que não sabe quem é. O grande desafio de Sophie é saber quem é. E as coisas vão clareando, os dias se acabam e a noite faz dormir e esquecer tudo.
Sabe que no outro acha conforto, mas que é estanque: passa muito rápido. Adora seus caminhos, seus universos particulares cheios de cores vivas. Estou até achando que ela gosta de morrer... Uma vez disse assim: “Quando morro, logo nasço de novo” , por isso é metamorfose, é efemeridade. Sophie é puro questionamento sem sentido, sem lei, sem regra.
