Ele me olha fixo, tem olhos profundos de fundo de mar.
Pergunto-me o que nós faz humanos. O que?
Deito-me na cama, mais uma vez, ele me olha fixo, tem sorrisos
nas íris. Sinto revirar de prazer das pontas dos dedos, pela coluna, enrubescendo
minhas bochechas e terminando na boca.
Entro no quarto, deito na cama, mais uma vez, ele me olha
fixo, tem olhos sérios. Seco a alma.
Saio do banheiro, entro no quarto, deito na cama, mais uma
vez, ele me olha fixo, depois desvia o olhar, cheio de preocupações inalcançáveis.
Caiu profundamente.
Entro no banheiro, saio do banheiro, entro no quarto, deito
na cama, mais uma vez, ele me olha fixo, têm olhos doidos. Sem que eu pense,
perco meus pensamentos.
Já não estou em casa. Estou fora. Entro, vou ao banheiro,
saio, entro no quarto, deito na cama e juro que vi seus olhos cheios de
infinito. Ele e todo o mistério dos seus pensamentos.
Estou fora, no universo...
Não, antes, na metafísica do é. Antes, no pré-existir do
nada. Deito na cama, você me olha fixo pela primeira vez. Pergunto-me se já não
derretemos longe, longe, em algum big bang.
Ao Baby
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