domingo, 25 de maio de 2014

Rafaela

Rafaela saía do prédio.
Carros, motos, escadas de alumínio. 
Escadas para subir. 
Ou descer. 
Rafaela não sabia, 
pra onde iria?
Uma onça pintada de manchas coloridas atravessou a praça da república 
Não, era um tigresa
Logo atrás estava Hermes, parado 
Ela observava 
Rafaela, sem saber 
Entre sonho e quaisquer páginas de Descartes 
Hermes com seus ventos vinha nas pontas dos pés 
Lhe roubou um beijo 
Lhe roubou o instante
E ela gozou tão profundamente que caiu no chão  
Ele se foi 
Ela nem viu 

Carros, motos, escadas em cima de carros
Ir para cima ou em frente? 
Rafaela só via o céu azul 
Não, era escuro 
Um céu pesado de São Paulo 

Em instantes se levantou
Agarrou o menino com um saco de cola que estava na sua frente 
Colocou em baixo do seu braço 
Puxou a sacola de sua mão 
Cuspiu em seus olhos vermelhos 
E descobriu que nunca conseguiria realmente abraça-lo 
Respirou dentro do saco 
Ele desapareceu

Rafaela seguiu a tigresa que continuava passando à diante 
Pra onde iria? 
Para ser clichê, 
Lembrou que Alice fez o mesmo, com um coelho 
Será que, podia um mágico, tirar da cartola uma tigresa? 

Ela parou na frente do metrô 
A tigresa descia a escada rolante, olhava pra trás, pra ela 
Pensou: Anhangabaú, linha vermelha, linha vermelha 
E viu seu sangue 
Escorrendo no metrô 
Quieta voltou-se para trás 
Era mar 

Calou-se para sempre. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário