Carros, motos, escadas de alumínio.
Escadas para subir.
Ou descer.
Rafaela não sabia,
pra onde iria?
Uma onça pintada de manchas coloridas atravessou a praça da república
Não, era um tigresa
Logo atrás estava Hermes, parado
Ela observava
Rafaela, sem saber
Entre sonho e quaisquer páginas de Descartes
Hermes com seus ventos vinha nas pontas dos pés
Lhe roubou um beijo
Lhe roubou o instante
E ela gozou tão profundamente que caiu no chão
Ele se foi
Ela nem viu
Carros, motos, escadas em cima de carros
Ir para cima ou em frente?
Rafaela só via o céu azul
Não, era escuro
Um céu pesado de São Paulo
Em instantes se levantou
Agarrou o menino com um saco de cola que estava na sua frente
Colocou em baixo do seu braço
Puxou a sacola de sua mão
Cuspiu em seus olhos vermelhos
E descobriu que nunca conseguiria realmente abraça-lo
Respirou dentro do saco
Ele desapareceu
Rafaela seguiu a tigresa que continuava passando à diante
Pra onde iria?
Para ser clichê,
Lembrou que Alice fez o mesmo, com um coelho
Será que, podia um mágico, tirar da cartola uma tigresa?
Ela parou na frente do metrô
A tigresa descia a escada rolante, olhava pra trás, pra ela
Pensou: Anhangabaú, linha vermelha, linha vermelha
E viu seu sangue
Escorrendo no metrô
Quieta voltou-se para trás
Era mar
Calou-se para sempre.
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