Tenho carregado essa vontade de aconchego. Procuro qualquer riso morno pra amargar menos essa vontade. É aquela solidão de quê falamos sempre, de que eu falo sempre nas cartas que eu escrevo a você. Mas volta e meia não sei o que fazer com isso e saio correndo de onde estou, o que sempre ajuda. Eu sei, eu disse que já estava cansada, que queria ficar no mesmo lugar quietinha por um tanto tempo, você sabe como sou ruim de promessas... E estou sentindo, sentindo. Aperta mais um pouco no dia seguinte. E ainda estou nessa de desaliança com o escrever, parece-me que cabe muito mais o próximo copo.
Talvez você não saiba, isso é um problema da filosofia. E como estou aprendendo, nela não cabe poesia, tudo isso passa a ser besteiras corriqueiras de salão, para que tenhamos olhos olhando para os nossos com vontade de ter escrito aquilo.
Mas quem? Não é o suficiente, você bem sabe. A filosofia que a lógica, a estruturação semântica da lingua, o cuidado com os termos e suas possibilidades na história.
Sou janela travada. Comedida por mãos pálidas cheias de razão e vontade de fazer bons estragos na vida de todos. Não estou mais no palco e choro, como acontece todas as vezes que isso acontece.
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