segunda-feira, 25 de novembro de 2013

De quê me servem as flores?

Eu sou feita de marcas.
Das imperfeições de todo corpo comum
Das minhas envaginações
Minha preguiças.

Sou assassina
mas, mal consigo montar cenários
muito menos encenar de verdade
Pouco sei contar histórias
E se as pessoas me amam
Até choram.

Deixei de ser o que meu pai queria
Fui fazer terapia
E depois me matei
Aniquilei meu corpo
Estendi minha alma na vitrine
E esperei pelo comprador

Mas qual seria o propósito
Do sinal verde
No meio de um engarrafamento?

O que fazer com todas as folhas em branco
Os dias azuis,
Os ocasos rosa.

Não sei mais o que estou dizendo
Vaza de uma veia da mão todo o sangue
E ele deveria flutuar
Derramar gota por gota
Na boca da mata
Onde está meus sonhos esquecidos.

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