quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sobre o Individuo e os Seres

Tem uma hora na vida do Individuo que ele não pode mais deixar os lugares, vai ficando cada vez mais dependente das pessoas que o cercaram: o Seres. Carregando as lembranças de várias eternidades, por que parece que em cada lugar que chega é uma nova vida, uma nova eternidade. Tudo isso na verdade  é uma merda, quero deixar bem claro.
Aí, um dia, vem uma lembrança, sente saudade e precisa dizer: " Ah é tanta saudade... Coisa de encher uma depressão." Então, escreve cartas, manda recados, paga vários telefonemas. Mas, logo depois, percebe que nada adianta, todas aquelas memórias só vão deixar ele em paz se estiver de novo com os Seres. Diante desse empasse, o Individuo resolve amaldiçoar os Seres e ao tentar fazer-lo não consegue, já que está afetivamente ligado a eles. Malditas lembranças!
Alguns dias mais tarde, vem o pensamento de que precisará sempre dos Seres. E para isso há a necessidade de não deixar que eles esqueçam do Individuo. Pobre Individuo!
Assim, de tempos em tempos o Individuo parece ter, gradualmente, um buraco maior no seu âmago, que na verdade fica no cérebro, não no estomago, nem no coração, como contam para vocês nas animações da Disney. Inicialmente, como já dito por ele, poderia encher um depressão, ou seja, um vale entre duas altas montanhas, agora, depois de cinco meses, parece poder encher o buraco que o mar ocupa. E não adianta falar de saudades, por que os Seres não aguentam mais ouvir essa palavra, eles dizem pra o Individuo voltar aos locais deixados, não entendem muito bem quais são as opções  do Individuo. Pobres Seres!
Por isso, o Individuo resolve que precisa de um terapeuta, procura um e descobre o quanto é caro, e mais ainda: parece que o cara só quer falar da mãe dele ( do Individuo, é claro), o que parece muito estranho pois ele só queria tentar matar saudades...
É depois de largar o terapeuta e pensar um monte que percebe que aquela situação só existe uma solução: cometer um crime: matar. Assim, antes de sair de casa todos os dias coloca uma arma na bolsa com a esperança de encontrar essa tal de Saudade na rua e matá-la. É segredo mas ele acha que o sangue dela pode preencher o buraco no seu âmago que na verdade está no cérebro e não no coração.

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