Era inevitável sua índole mediana, o olhar de calmaria e a postura encurvada. Ser-humano normal e fora do próprio mundo.
Esperava que tudo acabasse no próximo Apocalipse, assim o seu vazio seria de todos. Era incapaz de ser tocado pelo belo da poesia ou da arte. Parcelou em vinte vezes o desejo de ter uma poltrona confortável, mesmo sabendo que antes de terminar da pagar ela não seria mais tão boa.
Sentado nela com o controle remoto na mão sentia-se dono do mundo. Passava os canais enquanto sentia náuseas e dor de dente. O lábio inferior escapava-lhe dos dentes, seu rosto tomava um aspecto de peixe.
De vez em quando olhava o teto e deixava-se embebedar por pensamentos desconexos a respeito de tartarugas voadoras ou ninjas enfaixados por fitas rosas. Escapava-lhe memórias do inconsciente infantil, passado. Desses pensamentos partia para uma leve soneca e dali á alguns segundo a boca estava aberta e dela saía um fio de saliva que escorria pelo queixo. Roncava alto, tinha apneia.
E de repente acordava assustado com barulhos de lá fora. Queria saber de onde vem.
Estava um calor irremediável, as costas molhadas estavam molhadas. O pequeno ventilador no chão fazia tec-tec.
Sentia fome, levantou-se e percebeu que não tinha o que comer.
Fim da cena.
Logo, logo acontecerá de um corpo gordo sumir em uma explosão branca de pó pelo ar, mas isso aconteceu em outro quarteirão e ninguém vai saber.
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