quinta-feira, 27 de junho de 2013
Estava entre o rio e mar
Não existe no mundo posição mais limítrofe para estar. Em fobias, dentro d'água. Medo da água doce, escura e da água salgada, bravia.
Pés molhados, já nem podia voltar. Deixei meu corpo lambuzar e larguei no meio do meio-rio, meio-mar coisas pesadas. São espaços distintos em um só. E eu em um não-espaço, como um corredor, um aeroporto, uma rodoviária. Têm um porto ali perto, mas lá chegam notícias de outras civilizações, de espaço ocupados e medonhos arranhas-céus. Aqui estou segura.
Ia vendo a vida com gosto de desespero, não entendia nada. Por aquele momento eu era tudo, deixei flutuar. O medo ia com as ondas leves para outros rios, para outro mar. Quase não sendo, pois para existir é necessário um espaço para ser. O tempo voava.
Eu não era rio, não era mar. Eu era o lugar mais limítrofe do mundo!
(não)Fim
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