quarta-feira, 26 de junho de 2013

Diálogo de bar

- Hum meu caro amigo, pois estar bebendo whisky importado em um fim de noite faz adormecer meus dedos.

- Pelo menos não são garrafas quentes de cerveja... olha o outro lado do bar.

- Adoro o cheiro da cerveja quente no suor de um homem. Sal, cevada, falta d'água no corpo.

- Não esta noite, minha cara, por favor!

- São dessas coisas que se formam meu desejo. Seria como cena de filme pornô: correria o bar inteiro, agarraria seus corpo, te jogaria no chão e precipitaria meu sexo no seu, sem palavras.

- Tá bêbada.

- Desculpa, o teor o álcool deve justificar-me.

Ficam em silêncio, algum constrangimento se instaurou.

- Ficou vermelha.

- E você emburrou. Não sabia que aquele beijo de doce que me deu na porta do ônibus remonta em mim vontade de você.

- ...

- E até percebo como o sexo pode ter mais valor para as mulheres. E nem diga que isso é machismo, pois direi que sim, antes, em algum lugar do tempo é machismo. Hoje o sexo é mais importante para as mulheres. Acredite, aquele dia, quando cheguei no cinema pensei em comer seu corpo.

- Cala, não sabe o que diz.

- Nem adianta arregalar seus olhos vermelhos para mim, nem me olhar assim de perto! Se não gostasse do que digo teria se levantado ainda no inicio. É por que regala-se de ser desejo dos outros, não é?

- Não beba mais, já chega, vamos!

- Não! Vamos entornar!! É isso: bebamos tudo, você também precisa esquecer tudo que eu disse até agora. Traga mais uma dose garçom! Uma não, cinco. Eu tomo três e você duas.

- Não a escute! Está bêbada que nem gambá. Traga a conta, já iremos.

- Aproxime-se mais e me embriago nos teus olhos. E vou amolecer em seus braços, fazer poesia concreta, amar-te melhor... E eu que até pensei que era como eu. Me engano facilmente.

- O bar está olhando para gente. Melhor terminar de dizer tudo isso em casa...

- Quero ficar! Quero beber mais! Quero que beba comigo! E no meio de tanto beber, coma-me!

Ele chega no ouvido dela, cochicha.

- O garçom está preparando a conta. Vamos que casa tem rum, dou-te um trago de coca e você melhora. Vamos, precisa secar todo esse derramamento de si.

- Prometa primeiro! Prometa que não desviará seu olhar do meu amanhã de manhã. Prometa!

- Prometo sim.

- Eu vou mas deixa eu falar mais uma coisa - ela começa a tirar a blusa, enquanto fala se despe, ele tenta impedir mas ela é mais rápida  - Lembra daquele dia que te vi chorar, sempre soube que eram lágrimas de crocodilo. Pois bem, agora fico desnuda, atravesso esse bar, faço drama para dizer com dor que te amo. Por que o pecado configura-se em falar do segredo. Naquele dia eu bebia suas lágrimas falsa, como só sendo amiga poderia fazer. Hoje elas são raras, não posso cuidar-te, secar-lhe as feridas, desejos. Hoje você que segura meu corpo, lambe minhas lágrimas, porém faz isso como se fosse sua filha, irmã, mãe. Serei sempre Dindim com uma garrafa de vinho.Cheia de lágrimas em um bar de garrafas vazias.

O garçom traz um cobertor, ela está nua com a cabeça baixa, olhando fielmente para o chão. Chora forte. Ele a cobre e dois vão embora do bar.


Para os meus amigos que sempre serão amigos. 

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