quarta-feira, 26 de junho de 2013

Boca da cena - Ato I

Pânico! E no meio do palco nada se via além da luz forte, a emoção e o PÂNICO. Gritava que ainda eramos humanos! HUMANOS! Cheios de pânico. Dor verde vinha subindo do estômago. Vontade de vomitar. E na boca da cena saía-lhe dores esverdeadas de esperança. Estava vingada a morte da cabrita. Ela era sim uma cabrita. E todos na plateia estavam horrorizados: Pânico. Ninguém está acostumado a ver as coisas que carregamos no estômago. Silêncio.
Agora havia duas cenas: a primeira no palco:
Uma menina pálida com cor de nunca mais. No verde via rodar tudo o que guardou na hora de subir no palco, mas nada fica tanto tempo no estômago. Ou a coisa se desfaz e é absorvida pelo corpo, em parte, a outra parte expelida com vontade. Ou a coisa não saí do lugar, isso quer dizer que ainda somos animais, a racionalidade é desprezível aí, o que se sucede é o fato no chão, verde cor de sabão.
A segunda cena na plateia:

Todos em PÂNICO como se a casa pegasse fogo, todos quisessem vomitar suas coisas verdes no teto, nas paredes, no chão. Mas dentro de todas as passividades que carregamos procuravam um banheiro, para dentro de dentro de um cômodo, no escuro, deixar sair suas coisas de esperança. Nem eles veriam. Isso mostra que ainda somos humanos. Seguravam suas bolsas, paletós, casacos e chapéus como se um dia aquilo tudo pudesse ser escudo... nunca seria: constatação de todos: mais uma vez: Pânico. Com medo de que virassem cabritos, fechavam as bocas com força e iam em direção à porta. Precisavam deixar o recinto calmamente para que o fogo de um verde sem tamanho, de um pânico sem precedente não os fizesse vomitar. E se por algum acaso não fossem humanos, naquele momento correriam pois, não precisavam de ratos nos quartos para soltarem gritos.

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