Pânico! E no meio do palco nada se via além da luz forte, a
emoção e o PÂNICO. Gritava que ainda eramos humanos! HUMANOS! Cheios de pânico.
Dor verde vinha subindo do estômago. Vontade de vomitar. E na boca da cena
saía-lhe dores esverdeadas de esperança. Estava vingada a morte da cabrita. Ela
era sim uma cabrita. E todos na plateia estavam horrorizados: Pânico. Ninguém
está acostumado a ver as coisas que carregamos no estômago. Silêncio.
Agora havia duas cenas: a primeira no palco:
Uma menina pálida com cor de nunca mais. No verde via rodar
tudo o que guardou na hora de subir no palco, mas nada fica tanto tempo no
estômago. Ou a coisa se desfaz e é absorvida pelo corpo, em parte, a outra
parte expelida com vontade. Ou a coisa não saí do lugar, isso quer dizer que
ainda somos animais, a racionalidade é desprezível aí, o que se sucede é o fato
no chão, verde cor de sabão.
A segunda cena na plateia:
Todos em PÂNICO como se a casa pegasse fogo, todos quisessem
vomitar suas coisas verdes no teto, nas paredes, no chão. Mas dentro de todas
as passividades que carregamos procuravam um banheiro, para dentro de dentro de
um cômodo, no escuro, deixar sair suas coisas de esperança. Nem eles veriam. Isso
mostra que ainda somos humanos. Seguravam suas bolsas, paletós, casacos e chapéus
como se um dia aquilo tudo pudesse ser escudo... nunca seria: constatação de
todos: mais uma vez: Pânico. Com medo de que virassem cabritos, fechavam as
bocas com força e iam em direção à porta. Precisavam deixar o recinto
calmamente para que o fogo de um verde sem tamanho, de um pânico sem precedente
não os fizesse vomitar. E se por algum acaso não fossem humanos, naquele
momento correriam pois, não precisavam de ratos nos quartos para soltarem
gritos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário