domingo, 5 de maio de 2013

Não acredito no amor dos homens

Não compreendo por que fica dizendo preu acreditar no amor dos homens, que todos amam e só querem despejar-se em recipiente confiáveis... E ainda com esse cigarro na mão! Você é uma figura inigualável!
Mas não sei não, fui criada para desacreditar. Acho ainda que a mulher é feita desse amor, só ela, que escorre e se despeja, esparrama. Queria encontrar esse homem que me diz que está em todos. No geral não sabem lidar com a complexidade do sentimento feminino, abobalham-se. Ainda bem que concorda comigo em algo!
Eu não acredito no amor dos homens. E vou dizer, pra você não fazer de novo, sinto-me incomodada quando repete: "Usted tem que curar su feridas" e puxa mais um trago. Engraçado como te vejo, foge a essas idealizações...
Está em um lugar da minha mente, no antigo apartamento. Lembro de visita-lo e ficar horas olhando a parede com um garfo e uma colher em tamanho Itu dependurados. Depois o cheiro de cigarro, incenso também, e um pouco de uísque, se não me engano. Ainda bebia naquela época?
Explicava coisas pra minha mãe... nada que me interessasse mais que o garfo e a colher de madeira. Ainda agora me lembro de como te chamavam. Acho que foi o mais perto de idealização paternal que poderia ter na primeira infância. Engraçado, todas essas lembranças fazem cocegas. Não me lembro ter simpatia por ti, mas era difícil isso acontecer assim: de graça, precisava uma grande demonstração de  cuidado, quando era pequena. Estou me dispersando...
Não quero ficar aqui falando das ternuras que guardo por ti. Quero relutar essa perspectiva que todo homem também carrega mamas e amamenta com ternura a mulher que ama. Amor de homem me aparece com aquele sabor peculiar de sexo, uma boa sacanagem, que claro, não pode faltar... mas, quero provar com essa conversa toda que o anormal do homem seria a falta de tesão. Isso só se conquista com o tempo, o convívio, o silêncio de horas juntos. Mas parece que dificilmente leva a melhorias do relacionamento: os dois se fecham, a mulher não tem mais onde derramar e ele não será recipiente. Claro, existem exceções e são nelas que me agarro. Por que não podem dentro do silêncio de cada um, encontrar o outro, e se amarem, assim mais quietos, com menos pressa?
Desculpe se dei a entender isso, sei que precisamos de opostos, que se os dois forem assim: coisa que derrama, irão cair no vacou, consequentemente... mas o meu ponto é que o amor só chega de verdade para os homens quando eles conseguem silenciar aqueles impulsos do inicio do namoro, o fervor dos átomos. Ah sim, isso também vale pra mulher. Mas acredito que quando ela ama, mesmo antes do toque, quando a coisa ainda está em Platão, o sentimento de cuidado aparece inerente, mais forte ou mais tênue de mulher pra mulher. E é este que ainda não vejo neles (não no primeiro contato): um cuidado maior que abarque todo o desejo pelo outro e ao mesmo tempo cuide infinitamente. Ou é olhar de admiração, e só, ternura, e só, ou desejo, e só. Não sou cristã, não reprimo desejos, sabe disso, só grito por ternura junto com ele. Compreende?
Ora! Não me diga que tenho que curar minha feridas! Elas me protegem, a você também. Por isso que quando morrer de tanto tossir, com o pulmão ferido de cigarros, não vai mais fumar! Não ria! Isso é sério.
Ah... não venha com o papo freudiano de novo! Olha só que me engasgo com suas análises! Deixa pra lá. Quando eu o encontrar, esse homem de que te falo: juro, e posso até estar em outra esfera espaço-temporal, volto e te mostro que ele existe. E que é único, cheio de ternura e desejo, com a complexidade desse sentimento que só vejo nas mulheres. Uma vez ouvi de uma amiga: " se pensarmos bem não ficamos com homens." Mas não consigo ser racional a esse ponto.

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