quarta-feira, 1 de maio de 2013

Bye, bye

Os espaço seguram os acontecimentos,
Os espasmos os absorvem
Está tudo na memória

Bag and bye

No meio da estrada
Vi um adolescente com umas camisa do Matanza.
O que será que tem na mala?
No meio da calçada ele anunciava um gole seco de história

Passo os olhos pelo guarda-roupas, a cama, o criado mudo, a valise, os livros velhos que ainda não li. Tudo fica me dizendo que não faço poeira, não crio limo nem raiz. É como sussurrassem que a minha momanidade  é uma anormalidade. E os perfumes, as lembranças puras, o secador, o creme hidratante, a gaveta quebrada, tudo, inclusive eu, está meio cansado de mudar e ter de se adaptar aos novos ventos.
Por outro lado gritam o verde da próxima esquina que dá pra estrada de tijolos amarelos. A câmera, a pasta de documentos, minha certidão de nascimento, músicas da Elis, pijamas, sapatos, pantufas, todos, são incapazes de me prender, não me dizem nada. As lembranças boas vão deixando a mala mais pesada o duro será ter que arrastar até o avião. O primeiro beijo, as tardes, as bebidas, os chás de ervas finas, a vontade de mar, de sol ou de um abraço do melhor amigo. Tudo, tudo mesmo fala que ser cigana é pior que viver na mesma casa desde nascidos. Carrego bagagens de muitos lugares que já esqueci e sou obrigada a deixa-las por aí, não onde guardar.
Como pode doer tão pouco ser camaleão? Sinto tão mais que necessidade essa vontade de mudança de espaço. É um espasmo de escravidão: saudade de lugar algum, de útero, onde já se esqueceu.
E logo sinto mergulho de felicidade borbulhante que vi no sorriso de um belo menino. Lembro do gosto de jaca que tem um quintal de aprendizagens. Sinto até vontade de pular na árvore grande e me devotar a ela.
Mas não posso: quero mesmo é voar mais uma vez, sentir a vontade de volver, não precisar arrancar raiz e logo me vou. Limo me dá nojo.


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