sábado, 20 de abril de 2013

Guarda-roupas

Está preso na parede. 
Condicionado ou grudado 
Viraria pó 
No primeiro centímetro de distância

Está pregado 
Impregnado com cheiro de naftalina 
É dele ser guardado 
Portas fechadas 

É dele a coleção de sapatos 
A parte de cima 
As calcinhas na gaveta 
Os segredos 

Tem a ver com a maldade 
A falta de qualidade 
A madeirite
A rinite 

A umidade é outro fator
Caí o fundo 
Estoura o meio 
A base entorta 

E as calcinha da gaveta de cima   
Derrubam-se na de baixo 
Misturam-se com as cartas antigas 
Perfumes, lembranças, pedaços de madeira 

Ainda está preso na parede
E me parece oportuno 
Apoia-se, 
Não virá por terra

Não tão cedo.  

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