sábado, 20 de abril de 2013

Estamos em silêncio

Como é calado o silêncio dele. Me devora e engole em muitas fantasias sobre seu corpo. Esfrego meu rosto nas voltas da falta de som, escorro com vontade entre as pernas de cada segundo, depois rolo acima beijando-lhe a boca, os pequeno lábios.
Sinto as mãos passando pelas minhas costas, amaciando todo centímetro. Alguns arrepios. É fino frio que vem direto do olhar vazio. Estamos em silêncio. Eu olho os prédios e tento tirar meu corpo de baixo do seu, seu corpo de dentro do meu. Nada adianta. Estamos em silêncio e me incomoda o devaneio, a falta de realidade, as utopias. Percebo até que nem me interessa no que pensa, pouco importa o que sente, mergulhei profundamente em parte alguma. Compartilhar o silêncio é suficiente. Daqui a pouco pode até expor palavras bem pensadas, nem vai perceber o calor frio que abre meus corações.
Qualquer aproximação faz tremer pois em outra dimensão já se aproxima o fim e nenhuma conversa é produtiva. Talvez ainda solte um "Hum" e acabe o assunto, me concentrando mais nas suas mãos que passeiam em algum lugar.
E em algum receptáculo, em outro universos e diafragmas, dentro de uma baleia contida em um baú, num fundo azul de oceano eu gozo a sua presença com prazeres extremos de delicadezas perdidas, todas as posições e contraposições. Com sentindo efetuando-se mais que o silêncio, mais que o amor.

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