A compostura das palavras dela era como as pequenas
crianças. Peladas saiam de sua boca,
muito pouco elaborado. Criança confusa. Ia e vinha a cada sílaba como uma
bailarina contemporânea no meio de sua coreografia sobre a insegurança dela.
Capitava os olhares dos curiosos, dos psicólogos, dos autores e poetas não pela
sua beleza, não era bela, tinha cheiro de frigideira e café. Mas seus gestos
contavam uma história esperada e confirmada em palavras, aquelas palavras nuas.
Ansiava pela lanchonete levando bandejas cheias de pedidos para os clientes,
como se quisesse correr da cena no palco dando rápido as falas. Dispunha lépida,
sem olhar em olhos de ninguém, todos os copos e pratos na mesa. E já nem se via
a menina, ia levando de volta pra cozinha bandeja. Ás vezes, em caso de
clientes do sexo masculino, detinha-se um pouco mais na mesa, olhando-os ao
pousar o copo perto dos pratos. Cuidadosa observava os rostos com olhos umedecidos
e delicadeza desconhecida, prato á prato, copo á copo. E assim esperava ser
percebida, mas os olhares se desviavam e morriam em outro foco que não suas
pernas ou seus olhos. Ela nem morria, só ficou a esperar.
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