segunda-feira, 4 de março de 2013

Maria


A compostura das palavras dela era como as pequenas crianças.  Peladas saiam de sua boca, muito pouco elaborado. Criança confusa. Ia e vinha a cada sílaba como uma bailarina contemporânea no meio de sua coreografia sobre a insegurança dela. Capitava os olhares dos curiosos, dos psicólogos, dos autores e poetas não pela sua beleza, não era bela, tinha cheiro de frigideira e café. Mas seus gestos contavam uma história esperada e confirmada em palavras, aquelas palavras nuas. Ansiava pela lanchonete levando bandejas cheias de pedidos para os clientes, como se quisesse correr da cena no palco dando rápido as falas. Dispunha lépida, sem olhar em olhos de ninguém, todos os copos e pratos na mesa. E já nem se via a menina, ia levando de volta pra cozinha bandeja. Ás vezes, em caso de clientes do sexo masculino, detinha-se um pouco mais na mesa, olhando-os ao pousar o copo perto dos pratos. Cuidadosa observava os rostos com olhos umedecidos e delicadeza desconhecida, prato á prato, copo á copo. E assim esperava ser percebida, mas os olhares se desviavam e morriam em outro foco que não suas pernas ou seus olhos. Ela nem morria, só ficou a esperar. 

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