A primeira palavra que aprendeu foi Amor, e saiu dizendo-a assim pelas quatro paredes do mundo. "Amor, amor, amor, amor..." gostou tanto que nem mesmo sabia o que dizia falava assim mesmo. Parecia que amaciava no céu da boca quando os lábios juntavam-se e voltavam-se a abrir. Bem de magar: A-m-o-r. Rápido: Amor... de todas as formas AMOR!
Falava tanto todo ficavam tontos e cheios de tanto amor, resolveram que iriam ensinar outras palavras como ódio, rancor... E fizeram, ensinaram ódio primeiro.
Foi difícil falar pois os lábios se fazer em forma de um "o" que não sabia como era que eles faziam. Pior: bem no inicio da palavra.
Depois de muito tentar sem querer saiu, depois de falar um amor com cara de choro (tinha pisado no pé) debulhou um "ódio" com vontade. Já não era mais choro, era assim, meio bobo, era ódio em todas as vielas bêbadas da cidade. "Ódio, ódio, ódio, ódio,... "
E foi-se revirando latas, mas dessa vez não tinha mais ninguém pra ouvir, pra encher-se. Melhor, ficou sem motivo pra falar. Melhor...
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