sábado, 8 de dezembro de 2012

Para aquela Ariana, que sempre amará, mesmo que discretamente, aquele Dionísio

Você não viu Ariana morta na sala pela taça de vinho
Não sentiu como é pesado o desabandono
Nem o pensamento perdido por desassossego

Olhos fundos, o caos flutuando na frente dela

Não viu o olhar de assombro na palavra que deveria ser inaudível

Não  viu as estrelas no céu e o poço fundo que ela pulou

Por você e te buscou diversas vezes
A dor dilacerante por de carregar

Mas que da ultima vez não sabia como voltar

Não viu o amor que rasgava

Você não olhou o exemplo de Theseu, mal
Mas que foi melhor

Você ainda, Dionísio, filho de Baco, deixou de amar com tanta força
Em uma das forcas no meio do caminho

E Ariana ainda esperou
Em uma toca no fundo da mata virgem
Que gritasse seu amor com vigor de um homem
Esperou demais
Mesmo sabendo que ainda era menino

E você não viu os olhos molhados, vazando

Assim como fica Mênade, sua mulher

Você não viu o suor escorrer do rosto de Ariana depois de cada noite de sono
Em que ela sonhava com você
E esperava que ouvir seus gritos de desespero
Ao tentar acordar
E perceber que melhor era estar dormindo

Você não olhou o bastante pra dentro de Ariana
Não quis dar atenção ao óbvio eterno do viver
Das doçuras que ela te fazia esperando que viesse

Você Dionísio, filho de Baco, esqueceu que Ariana é mortal
Não como você, semideus, coisa quase-eterna
Mas sim, matéria frágil e fraca
Que só precisava daqueles pequenos fragmentos que não iria ter.




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