Você não viu Ariana morta na sala pela taça de vinho
Não sentiu como é pesado o desabandono
Nem o pensamento perdido por desassossego
Olhos fundos, o caos flutuando na frente dela
Não viu o olhar de assombro na palavra que deveria ser inaudível
Não viu as estrelas no céu e o poço fundo que ela pulou
Por você e te buscou diversas vezes
A dor dilacerante por de carregar
Mas que da ultima vez não sabia como voltar
Não viu o amor que rasgava
Você não olhou o exemplo de Theseu, mal
Mas que foi melhor
Você ainda, Dionísio, filho de Baco, deixou de amar com tanta força
Em uma das forcas no meio do caminho
E Ariana ainda esperou
Em uma toca no fundo da mata virgem
Que gritasse seu amor com vigor de um homem
Esperou demais
Mesmo sabendo que ainda era menino
E você não viu os olhos molhados, vazando
Assim como fica Mênade, sua mulher
Você não viu o suor escorrer do rosto de Ariana depois de cada noite de sono
Em que ela sonhava com você
E esperava que ouvir seus gritos de desespero
Ao tentar acordar
E perceber que melhor era estar dormindo
Você não olhou o bastante pra dentro de Ariana
Não quis dar atenção ao óbvio eterno do viver
Das doçuras que ela te fazia esperando que viesse
Você Dionísio, filho de Baco, esqueceu que Ariana é mortal
Não como você, semideus, coisa quase-eterna
Mas sim, matéria frágil e fraca
Que só precisava daqueles pequenos fragmentos que não iria ter.
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