segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ultimas palavras

Estralou os ossos. O pescoço rangeu, renegou a coluna que doeu. Falou pra o quadril "Não é problema meu", descobriu as pernas e o joelho tremeu. Bateu as canelas na bengala e gemeu:" Uai". 

E de todo esforço levantou, colocando o crochê de lado para o gato desfazer todo o trançado. 
Foi de vagar até a cozinha, segurando as costas e a bengala. Parecia tão frágil que ia desmoronar. 
E caiu com uma dor doída no braço direito, coisa sem jeito... O coração batia forte e não tinha mais norte para saber direito onde era o sul. 
Olhou pra céu pedindo por sua neta, que ela mesma, pecado nenhum cometera, sabia que seria acolhida em festividades. 
Sentiu raiva do genro, quis matar a filha por ter saído e a deixado sozinha. Quis trucidar o marido por tê-la deixado ainda emprenhada no meio do nada. 
"Filho da Puta" falou, e assim morreu, por que soltou o sentimento antigo de dor. 

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