domingo, 20 de maio de 2012

A nós, Bacantes


A maçã que comemos com essa fé, força e fúria.
Toma, te embebeda!
Deixe que os mistérios te surpreendam
Deixe que a vida te leve, bem leve
Deixe a chuva cair
Rodar o mundo
Criar a visão da mação pura
Colar os segredos na palma da mão
Com a mais pura lógica
Sem matemática, essa coisa rígida...

Corra! Morde com força!
Passe pelo meu pescoço
Vire toda a garrafa
Me vire do avesso que não tenho
Engula todo esse fruto de luz
Deite-se na minha cama
Olha nos meus olhos e fale sobre o universo
Sobre o amor
Sobre as religiões
Fale sobre você!
Grite poesia descompassada!
Vá logo, coma, até que o fruto não exista
Ele na verdade não existe...
Como você sabe que sabe?
Como acha que pode saber?

Oh venha, cubro-te em meus braço e te faço sonho
Frouxo e rápido, cheio de humanidades
Com nosso cheiro de dualidades quebradas
Coma! Não perca tempo.
Saiba que a serpente é um animal feroz
Mas belíssimo
Deixe que ela te pique
Sinta o veneno
O pedaço de eternidade vindo da morte
A anarquia do mais profundo ser em ti
Entre pelo vago
Saí em minha cama, novamente
Vamos amar-nos
Amassar-nos

Beba. Beba!
Mais! Saudações a Baco
Saudações a Exu,
Deixa que nosso vinho embebede os vizinhos
Todos nas nossas danças
Nessa mesa
Depois dormimos
Na memórias da eternidade 



Para Manolo e Beth 

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