sexta-feira, 20 de abril de 2012

Oração


Oh Pai,
Proteja-me nessas horas
Proteja-me dos dogmáticos,
Dos que não amam,

Proteja-me
Por que sinto que me perco no meio de tantos
(Me proteja dos pré-conceitos)

Proteja-me dos meus próprios preconceitos
Dos ciclos de gerações,
Dos meus pais e das minhas mães
Proteja-me das falsas alusões

Oh pai,
Necessito urgentemente de proteção
Só dessa forma poderei alcançar Dionísio

Proteja-me das minhas vergonhas,
Do que me prende e faz arrastar.

Proteja-me de ditaduras inflamadas por discursos
Afaste-me dos medos,
Segure-me bem alto,
Me inflame de paixão por tudo que me faz dar o salto

Proteja-me para que o traço não saía torto
Fazendo do bobo lobo professor uma extensão do seu amor  
Proteja-me das orações sem sentidos
Do sentimento que cega e não abre

Proteja-me dos sóis muito fortes
Mas me dê as chuvas de granito para que possa dançar
Me dê assas de cera para que eu aprenda a voar
E me faça errar o chão só por garantia

Oh pai,
Espero que saiba a hora de parar
Me proteja do seu exagero  
Espero que saiba me deixar caminhar

Não se esqueça de não me proteger do amor
Mesmo que ele seja banal ou desajeitado
Mesmo que ele venha mal-amado
Só me proteja do não-amor, calha ressaltar

Me proteja do falso amor, do sem Ser
Mas me deixe vê-lo
Me deixe sofre-lo com resignação
Só assim sei que posso crescer

Oh pai,
Chegue de mansinho
Sem fazer alarde
Guarde-me com carinho
Nesta mocidade

Saiba que meu canto sempre foi de arte
Saiba que meu samba... meu corpo também arde

Faça que olhos se encontrem com os meus
Que eles venham de todas as partes para dizer adeus
Mesmo que sem insight partam sem se despedir
Mas que se dispam enquanto estiveram por aqui

Oh pai ,
Proteja-me da ignorância,
Da ganância
E principalmente do comodismo

Sacuda-me para que o grito saía sem contenção
Pra que a saia rode no salão

Oh pai,
Escute minha prece e reze por mim
Reze pelo vazio que ainda anda e se pode ouvir
Reze pelo nada vagando atrás, do atrás do mundo

Oh pai,
Peço-lhe que escute seu coração
Tire dele o rancor
Só seja emoção

Acabe com os infernos que edificamos em nós mesmo
Acabe com qualquer prisão
Acabe sem pena com a pena ufanista

E ao mesmo tempo destrua as espadas
Pra que as armas caíam ao chão
Que a batalha não resista ao tempo
Que mundo vingue , mesmo lento, na sua continuação

Oh pai ,
Que os homens vejam como complicam demais as coisas
Que os ventos soprem as canoas de Caíme
Que eu delire em sonho esverdeado e rosa
E possa volver ao deserto , lá encontrar o que é incerto


Um comentário: