Oh Pai,
Proteja-me nessas horas
Proteja-me dos dogmáticos,
Dos que não amam,
Proteja-me
Por que sinto que me perco no meio de tantos
(Me proteja dos pré-conceitos)
Proteja-me dos meus próprios preconceitos
Dos ciclos de gerações,
Dos meus pais e das minhas mães
Proteja-me das falsas alusões
Oh pai,
Necessito urgentemente de proteção
Só dessa forma poderei alcançar Dionísio
Proteja-me das minhas vergonhas,
Do que me prende e faz arrastar.
Proteja-me de ditaduras inflamadas por discursos
Afaste-me dos medos,
Segure-me bem alto,
Me inflame de paixão por tudo que me faz dar o salto
Proteja-me para que o traço não saía torto
Fazendo do bobo lobo professor uma extensão do seu amor
Proteja-me das orações sem sentidos
Do sentimento que cega e não abre
Proteja-me dos sóis muito fortes
Mas me dê as chuvas de granito para que possa dançar
Me dê assas de cera para que eu aprenda a voar
E me faça errar o chão só por garantia
Oh pai,
Espero que saiba a hora de parar
Me proteja do seu exagero
Espero que saiba me deixar caminhar
Não se esqueça de não me proteger do amor
Mesmo que ele seja banal ou desajeitado
Mesmo que ele venha mal-amado
Só me proteja do não-amor, calha ressaltar
Me proteja do falso amor, do sem Ser
Mas me deixe vê-lo
Me deixe sofre-lo com resignação
Só assim sei que posso crescer
Oh pai,
Chegue de mansinho
Sem fazer alarde
Guarde-me com carinho
Nesta mocidade
Saiba que meu canto sempre foi de arte
Saiba que meu samba... meu corpo também arde
Faça que olhos se encontrem com os meus
Que eles venham de todas as partes para dizer adeus
Mesmo que sem insight partam sem se despedir
Mas que se dispam enquanto estiveram por aqui
Oh pai ,
Proteja-me da ignorância,
Da ganância
E principalmente do comodismo
Sacuda-me para que o grito saía sem contenção
Pra que a saia rode no salão
Oh pai,
Escute minha prece e reze por mim
Reze pelo vazio que ainda anda e se pode ouvir
Reze pelo nada vagando atrás, do atrás do mundo
Oh pai,
Peço-lhe que escute seu coração
Tire dele o rancor
Só seja emoção
Acabe com os infernos que edificamos em nós mesmo
Acabe com qualquer prisão
Acabe sem pena com a pena ufanista
E ao mesmo tempo destrua as espadas
Pra que as armas caíam ao chão
Que a batalha não resista ao tempo
Que mundo vingue , mesmo lento, na sua continuação
Oh pai ,
Que os homens vejam como complicam demais as coisas
Que os ventos soprem as canoas de Caíme
Que eu delire em sonho esverdeado e rosa
E possa volver ao deserto , lá encontrar o que é incerto
buen post acerca
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